Magistrados lançam ao vivo nova edição da MagisCultura

noticia capa magiscultura 300 anos serro 13.08.20

A moderna tecnologia e a tradição e a antiguidade parecem um casamento inusitado. Mas foi isso que marcou a live de lançamento da 22ª edição da revista MagisCultura, da Associação de Magistrados Mineiros (Amagis), a primeira de 2020, cujo tema foram os 300 anos da Comarca do Serro. Autores, profissionais do Direito, amigos e familiares dos expositores e escritores, a comunidade do Serro e arredores, interessados em história, política, literatura e justiça assistiram à transmissão.

A atração, veiculada pelo canal da associação no YouTube, reuniu o presidente da Amagis, desembargador Alberto Diniz, o juiz Renato César Jardim, presidente do Conselho Editorial da publicação, os desembargadores Rogério Medeiros e Armando Freire, o prefeito do município do Serro, Guilherme Simões, e o médico e dramaturgo Jair Raso, representante da Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), que patrocinou a MagisCultura.

A mediação coube ao jornalista Manoel Marcos Guimarães, editor da revista desde a sua criação, em 2009, que atuou como assessor de comunicação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) no biênio 2018-2020, na gestão do presidente Nelson Missias. Para ele, a publicação recupera a história e resgata uma celebração que teve de ser suspensa em função da crise sanitária.

O mediador destacou, ao início, que a comarca ofereceu grandes personalidades ao Brasil, entre elas juristas e políticos, e que a pandemia veio interromper o planejamento entusiástico do aniversário da comarca, preparado desde o ano passado, por uma comissão multidisciplinar de representantes de várias áreas.

Afinidades eletivas

O presidente da Amagis, desembargador Alberto Diniz, salientou que a revista é um marco na trajetória da entidade, e evidencia o talento literário de muitos julgadores e a proximidade, presente na vida de vários deles, entre a atividade judicante e a reflexão e o culto às letras.

Ele enfatizou, ainda, a competência da comissão que organiza cada número, sempre com critérios exigentes de seleção e edição, citando, ainda, seu carinho especial pela região do Serro, onde costumava fazer cavalgadas e cultivava velhas amizades.

O prefeito da sede da comarca afirmou que as comemorações foram adiadas, mas ainda acontecerão, pois “a crise não para a história”. Ele lembrou os diversos envolvidos na preparação do evento, na comarca e fora dela, oriundos de diversas instituições, e descreveu a visita da comitiva do TJMG como um “momento de júbilo”.

“Temos o que festejar. Estamos falando de história, de arte e da justiça mineira, e agora, com esse lançamento, participamos de mais uma página singular em nossa tradição”, frisou, pontuando vultos eminentes nascidos no Serro, acontecimentos relevantes, o desenvolvimento da cidade e a riqueza humana e cultural que a região representa.

Laços de afeto entre ciências

Segundo o neurocirurgião Jair Raso, é uma alegria iniciar uma parceria que permitirá promover a arte e a cultura tanto no âmbito da Medicina como do Judiciário, estreitando um esforço comum que procura, mesmo com o isolamento que afetou as atividades culturais, oferecer atrações de qualidade para o público mineiro.  

Líder do conselho editorial da revista, o juiz Renato César Jardim, também escritor e poeta, discorreu sobre algumas das contribuições e a variedade da edição, que traz contos, poesias, ensaios e crônicas de doze autores, abarcando da filosofia à música, em textos marcados por erudição e criatividade.

“É um conjunto saboroso para se degustar, e tenho certeza de que agradará a todos”, disse, citando sua experiência, quando juiz em Peçanha, então parte da comarca de Serro, de receber um pedido do Conselho Nacional de Justiça para remeter antigos autos de um inventário que incluía no rol dos bens um escravo e que constituía testemunho valioso para o Judiciário.

O desembargador Armando Freire, filho da terra, integrante da comissão que elaborou a programação das festividades infelizmente canceladas e autor do artigo “Uma comarca tricentenária e o seu legado”, falou do empenho e do compromisso do TJMG com a justa homenagem à comarca, cuja importância para Minas merecia e justificava a inciativa.

Ele também citou os notáveis que tinham ligação com a cidade e formaram a república e contribuíram para a democracia nacional, e trouxe informações sobre a constituição e evolução da comarca. “Apesar do antigo nome de Serro Frio, é um povo de coração quente”, concluiu.

Erudição e saber prático

O desembargador Rogério Medeiros, “ardoroso pesquisador de história”, nas palavras do editor e do presidente da comissão organizadora da revista, ofereceu uma cuidadosa investigação sobre episódios pouco conhecidos dos primórdios da justiça na comarca, entremeando sua fala com curiosidades e com um elogio de cidadãos ilustres, apreciadores e amigos do Serro, bem como de delícias locais, como o queijo, a cachaça, os doces e a culinária da famosa Dona Lucinha.

“Ainda que não façamos o evento nas proporções desejadas, faço questão de ir à comarca para estar com os amigos e falar sobre todas essas belezas. Muito dessa história se cruza com as linhas traçadas por minha terra, de São João del-Rei, a antiga comarca de Rio das Mortes. O Serro deu juristas significativos ao país, no passado, no presente e, sem dúvida, dará no futuro”, declarou.

Confira a revista, na íntegra, aqui. Reveja o conteúdo da live neste link

 

Fonte: TJMG